Sexestima - Sexologia e Terapia de Casal e Sexual

Não confiava em ninguém com mais de 30

 

Há algum tempo os 30 anos eram marcados pela fase do amadurecimento, o símbolo da passagem do jovem para o adulto. Acontece que pelo fato da expectativa de vida ter aumentado nos últimos tempos essa passagem talvez tenha se deslocado para outro lugar. As mulheres pouco comemoram a fase balzaquiana e homens demoram cada vez mais a sair da casa dos pais.

O que temos percebido em termos de sexualidade é que a idade tem influenciado cada vez menos homens e mulheres jovens adultos na valorização do sexo. Fato é que o amadurecimento, seja ele com 25, 35 ou 45 anos é a maior influência na qualidade do sexo. Diante dessa afirmação alguns irão questionar: mas o sexo piorou depois dos 30! Filhos, casamento, as mudanças no corpo, a disposição muda, as responsabilidade aumentam… Enfim, por que tudo muda para pior?

A realidade é que mesmo com a maturidade, homens e mulheres não recebem educação sexual de qualidade na infância e adolescência e não tem a habilidade de lidar com tais mudanças. A atenção e o tesão do homem ficam seletivos, ou seja, ele não se sente mais excitado diante de qualquer estímulo, mas se sentem obrigado a querer sexo todos os dias e manter a ereção tão rígida quanto quando tinham 18 anos. Essas necessidades acabam por transformar o prazer em obrigação. Outro dia ouvi a frase: “Se eu não comparecer quando minha mulher quiser sexo ela buscará em outro lugar”. Pode até ser que ela busque se a qualidade do sexo for ruim ou se não houver sexo nenhum, mas a responsabilidade de sair da monotonia e de manter a chama acesa é de ambos.

Já as mulheres continuam sem se conhecer, não se masturbam, pouco entendem as mudanças no corpo e no metabolismo e querem viver o casamento, os filhos e o sexo como se tivessem a disposição de 18 anos. Estão acostumadas a fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo e continuam achando que se o marido perdeu a ereção, ou não a ama mais, ou tem outra. Também se cobram demasiadamente em satisfazer o parceiro e a ter desejo sexual espontâneo como ele. Mas como ter desejo por sexo se todo o resto vai mal? Sempre transamos no mesmo lugar, do mesmo jeito, o beijo de língua só acontece na hora do sexo, não tem um clima erótico no ar, meu parceiro não dedica tempo para me excitar e eu tenho que chegar ao orgasmo em todas as vezes que ocorre a penetração! É muita rotina e obrigação para uma mulher madura…

Por isso tudo é que a educação sexual de qualidade é fundamental. Precisamos aprender na escola e com a família que a vivencia da sexualidade depende muito do autoconhecimento e mais que informação, mas formação. A partir do momento que entendermos que sexo é para sentir prazer, que não sou eu o responsável pelo prazer do outro, que sou apenas a ferramenta para que o outro sinta prazer, passo a relaxar mais e a curtir o sexo. Valorizo mais a qualidade do que a quantidade e sei que cada vez que vamos para a cama, o sofá, o banco do carro ou o motel, estamos fomentando prazer e não necessidade, não obrigação! Se me obrigo a ter uma ereção é bem provável que irei perde-la, se me obrigo a ter um orgasmo, mais distante estou dele. Portanto qual o segredo para manter o sexo após os 30 anos? Inovar, renovar e sair da rotina! Monotonia e sexo não combinam em nenhuma idade da vida!

 

Escrito por Rodrigo Torres

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Rodrigo Torres

Rodrigo Torres

Psicólogo e Sexólogo, Máster em Sexologia Clínica, Saúde Sexual e Especialista em Terapia Sexual. Coord. Instituto Ibero-americano de Sexologia no Brasil, Del. Estadual Sbrash em Minas Gerais com mais de 15 anos de experiência.

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